Referência: 8330
Autor: Mário Sousa
Editora: Secretariado Nacional de Liturgia
Número de Páginas: 232
14.8 x 21 cm
Estamos gratos ao Pe. Mário Sousa pela publicação desta obra, para assinalar as suas bodas de prata sacerdotais, permitindo-nos, deste modo, unir-nos à sua ação de graças pelo dom do sacerdócio ministerial, exercido com dedicação e generosidade ao serviço da Diocese do Algarve.
O título escolhido – Dai-lhes vós de comer (Mc 6,37) – reflete a sua resposta pessoal a esta exortação intemporal de Jesus, como expressão do exercício do dom que lhe foi concedido há vinte e cinco anos e continua a distribuir, de muitos modos, àqueles que Deus vai colocando no seu caminho. A publicação desta obra constitui, seguramente, um modo eficaz de o fazer. Em cada página, para além da sua competência como Professor e Mestre, transparece o seu coração de pastor e o seu amor pessoal a Cristo, à Palavra e à Igreja, amor que contagia quantos têm o privilégio de o escutar e agora, estou certo, se estenderá a quantos lerem esta obra.
Dai-lhes vós de comer (Mc 6,37) é uma seleção de doze artigos, publicados pelo autor em diferentes revistas, que agrupamos, de acordo com o tema abordado, e apresentamos com breves considerações sobre cada um deles.
A obra abre com três artigos sobre o Evangelho de S. João:
Os quatro artigos seguintes aprofundam temas de antropologia bíblica:
– o primeiro sobre a dignidade inalienável do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus e que ganha uma dimensão radicalmente nova na filiação divina em Cristo;
– o segundo que apresenta o significado dessa nova criação em Cristo no que respeita aos sacramentos do Matrimónio e da Ordem;
– o terceiro sobre o sentido último da vida dos cristãos, tal como é apresentado por Paulo através da transformação do conceito grego de imortalidade realizada pelo apóstolo;
– o quarto sobre a luz que a Escritura lança sobre o tema da eutanásia, apresentando-a como estrondosa oposição ao projeto e vontade de Deus.
O livro termina com dois artigos mais técnicos, mas nem por isso menos atraentes e apelativos:
– um sobre o significado do encontro de Saúl com duas jovens, que é motivo para se perceber a forma como os autores sagrados usam esquemas pré-estabelecidos (os chamados géneros literários ou cenas típicas) para apresentar significados mais profundos e transcendentes do que aqueles que são alcançáveis por uma leitura apressada ou limitada pelos esquemas mentais do leitor ocidental;
– o último em que o autor faz um verdadeiro exercício de crítica textual, em que, pelo estudo dos diferentes manuscritos, ajuda a perceber não só a constante presença de doutores da lei junto de Jesus no início da sua vida pública, como a razão do ódio mortal que estes acabam por fomentar em relação ao Senhor.
Dai-lhes vós de comer (Mc 6,37)! Cristo continua, hoje, a fazer-nos o mesmo desafio.
Se é imprescindível distribuir a todos o “pão de cada dia”, de modo que a ninguém falte o necessário para a sua subsistência, também é verdade que este convite nos obriga a distribuir o Pão da Palavra e da Eucaristia, como alimentos que dão conteúdo e sentido à vida, abrindo-a à dimensão da eternidade.
Estamos gratos ao Pe. Mário, pela disponibilidade em partilhar o “seu farnel”, para assinalar as suas Bodas de Prata Sacerdotais, bem como ao Secretariado Nacional de Liturgia em dispor-se a “multiplicá-lo e a distribuí-lo”, tornando-o acessível a quantos quiserem dele servir-se, certos de que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4; Dt 8,3).
Manuel Neto Quintas
Bispo do Algarve